Representação Estudantil e Institucional 3 min leitura
Federação Académica do Porto defende semana de quatro dias no ensino superior já no próximo ano letivo

Federação Académica do Porto defende semana de quatro dias no ensino superior já no próximo ano letivo

05 Agosto 2025

A Federação Académica do Porto (FAP) enviou, esta terça-feira, uma carta aberta dirigida aos diretores e presidentes das unidades orgânicas das Instituições de Ensino Superior do Porto (IES) a apelar à implementação da semana académica de quatro dias já no próximo ano letivo. 

O pedido surge na sequência de um inquérito realizado pela FAP, em colaboração com o Instituto de Sociologia da Universidade do Porto, cujos resultados revelam que 80% dos estudantes da Academia do Porto identificam benefícios na adoção de uma semana académica de quatro dias. Entre os principais fatores apontados estão o aumento da motivação, concentração, saúde mental, bem como uma melhor gestão entre a vida pessoal, familiar e académica. 

“Portugal está entre os países europeus com maior carga horária em sala de aula. Em média, os estudantes portugueses têm mais 21 horas de atividades letivas do que a Alemanha, Reino Unido ou Itália, e o dobro da Suécia”, explica o presidente da FAP, Francisco Porto Fernandes. “Um estudante a tempo inteiro, num curso de licenciatura, dedica cerca de 46 horas por semana às atividades académicas, entre aulas, estudo e avaliações”, acrescenta.
O inquérito referido acima incidiu sobre aspetos relacionados com a saúde, equilíbrio familiar e disposição para atividades diárias. Sete em cada 10 estudantes referem sentir-se mais motivados, com mais energia e maior capacidade de conciliar os estudos com a vida familiar, quando ponderam a hipótese de uma semana de quatro dias no ensino superior. Sobre a capacidade de concentração e qualidade do sono, aspetos que se encontram interligados, seis em cada 10 consideram que esta medida seria bastante positiva.

Na área da saúde mental, o impacto seria igualmente notado. Mais de metade dos estudantes acredita que a semana de quatro dias pode contribuir para a redução de stress, ansiedade e sintomas de depressão. 

Contudo, o presidente da FAP alerta que “a semana de quatro dias no ensino superior não pode significar a concentração de 21 horas de aulas nesses dias”: “Propomos um novo paradigma, que conjugue a redução da carga horária com a inovação pedagógica, através da implementação de métodos de ensino e de avaliação mais adequados.”  

Além de um maior equilíbrio entre a vida pessoal e académica, a redução da carga horária contribuiria para diminuir o tempo gasto em deslocações e atenuar a crise no alojamento estudantil. “O modelo atual não responde à realidade de quem trabalha, vive longe ou enfrenta dificuldades socioeconómicas. A implementação da semana de quatro dias é, sem dúvida, um contributo relevante na qualidade de vida dos estudantes universitários”, conclui o presidente da FAP.

O inquérito, aplicado entre os dias 28 de maio e 30 de junho, obteve 1.824 respostas consideradas válidas. Entre os inquiridos, com uma idade média de 20,9 anos, 68% encontram-se a frequentar cursos de licenciatura, onde a carga horária tende a ser mais elevada. 60% estão inscritos na Universidade do Porto, 30% no Instituto Politécnico do Porto, 4% na Escola Superior de Enfermagem e os restantes 6% frequentam instituições do Ensino Superior Privado ou Cooperativo.

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