Representação Estudantil e Institucional
Federação Académica do Porto destaca “vitória histórica para os estudantes” na aprovação do novo RJIES

Federação Académica do Porto destaca “vitória histórica para os estudantes” na aprovação do novo RJIES

16 Maio 2026

Entre as principais conquistas, a FAP destaca a consagração do Estatuto do Estudante do Ensino Superior, a institucionalização de uma política nacional de alojamento estudantil, a eleição direta dos reitores e o reforço da representação estudantil nos Conselhos Gerais.

A Federação Académica do Porto (FAP) considera que a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), aprovada, recentemente, na Assembleia da República, representa um avanço significativo na democratização da governação das instituições e no reconhecimento dos estudantes como parte central da comunidade académica.

“Estamos muito satisfeitos por ver consagrados na lei vários pontos que a FAP tem vindo a defender ao longo dos anos. É um dia muito importante para o ensino superior e para o movimento estudantil”, afirma Francisco Porto Fernandes, presidente da FAP.


A saber: a criação do Estatuto do Estudante do Ensino Superior é essencial para combater desigualdades de tratamento entre instituições e para responder à diversidade de perfis existentes no ensino superior, incluindo trabalhadores-estudantes, estudantes com filhos, dirigentes associativos, estudantes-atletas, bombeiros, militares, estudantes com necessidades educativas específicas e cuidadores informais. Francisco Porto Fernandes lembra que a FAP apresentou propostas para a criação deste estatuto ao longo dos últimos 10 anos e sublinha: “não podíamos continuar a ter estudantes em situações semelhantes a serem tratados de forma diferente consoante a instituição que frequentam”.

Na leitura da versão aprovada pela Assembleia da República, a FAP também enaltece a inscrição da política nacional de alojamento estudantil entre as responsabilidades do Estado. “O alojamento estudantil deixou há muito de ser uma questão acessória. Para muitos estudantes é a diferença entre conseguir ou não frequentar o ensino superior. Ao reconhecer esta política como uma responsabilidade estrutural do Estado, está a ser dado um sinal importante, mas esse sinal tem agora de ser acompanhado por investimento, planeamento e execução”, defende o presidente da FAP.

No plano da governação das instituições, a FAP destaca a eleição direta e universal do reitor, com participação ponderada de docentes e investigadores, estudantes, pessoal técnico, especialista e de gestão e antigos estudantes. A estrutura estudantil assinala ainda o reforço da representação dos estudantes nos Conselhos Gerais, que passa de um mínimo de 15% para um intervalo entre 20% e 25%, bem como a obrigatoriedade de parecer dos órgãos representativos dos estudantes no processo de eleição do Provedor do Estudante. Para Francisco Porto Fernandes, estas alterações “valorizam a participação estudantil nos espaços de decisão e reforçam a proteção dos direitos, interesses e perspetivas dos estudantes nas instituições que frequentam”.

Não obstante, a FAP lamenta que tenha sido perdida a oportunidade de assegurar a representação por inerência das associações de estudantes nos Conselhos Pedagógicos. Tratando-se dos órgãos centrais na articulação entre estudantes e docentes em matérias de ensino, aprendizagem e avaliação, a FAP considera que a presença das associações de estudantes deveria estar expressamente salvaguardada.

A FAP saúda ainda a consagração da possibilidade de as instituições do subsistema politécnico conferirem o grau de doutor, considerando que a medida valoriza a investigação aplicada e combate o estigma associado ao subsistema politécnico ao longo dos anos. Apesar do saldo positivo, a FAP manifesta reservas quanto à excessiva flexibilidade introduzida no sistema binário, sobretudo nos mecanismos que poderão permitir a conversão de instituições politécnicas em universidades sem requisitos suficientemente exigentes quanto à sua missão, oferta formativa e capacidade científica. “A valorização do subsistema politécnico não deve significar a diluição da sua identidade, nem a criação de uma corrida à reclassificação institucional. A diversidade institucional é uma riqueza do ensino superior português e deve ser protegida”, alerta o presidente da FAP.

Com a aprovação do novo RJIES, a FAP defende que a prioridade deve passar agora pela implementação responsável do diploma, pela revisão estatutária das instituições e pela elaboração dos diplomas complementares, em especial o Estatuto do Estudante do Ensino Superior.

Sucesso!
Obrigado pelo seu contacto. Responderemos o mais breve possível.