
Federação Académica do Porto e Município do Porto assinam protocolos para combater desigualdades no acesso ao ensino superior
A Federação Académica do Porto (FAP) e a Câmara Municipal do Porto (CMP) formalizaram, esta quinta-feira, dia 5 de março, dois protocolos de colaboração que visam combater as desigualdades de oportunidades no acesso ao ensino superior e estimular a participação cívica dos jovens. A cerimónia decorreu no Polo Zero da FAP – aos Clérigos, às 11h00, e contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, da Vereadora com o Pelouro da Educação, Matilde Rocha, e da direção da FAP, representada pelo presidente, Francisco Porto Fernandes.
O primeiro projeto apresentado, Porto de Partilha, baseia-se num modelo de mentoria e acompanhamento educativo personalizado, no qual os estudantes do ensino superior se inscrevem para acompanhar os alunos do ensino secundário dando explicações individuais de forma a que a transição para o ensino superior seja mais equitativa.
Para assegurar a qualidade do acompanhamento prestado, os universitários que integram o Porto de Partilha recebem formação pedagógica, orientada para as exigências do contexto do ensino secundário e para o desenvolvimento de competências de apoio académico. O programa disponibiliza explicações gratuitas para os alunos do ensino secundário e materiais de estudo estruturados, atribuindo prioridade aos alunos beneficiários de ação social escolar. As explicações decorrem no Polo Zero e online, garantindo flexibilidade e maior alcance. Os estudantes do ensino superior que asseguram as explicações são remunerados pela FAP, o que, além de reconhecer o seu trabalho, constitui também uma oportunidade de valorização curricular e de obtenção de um rendimento extra.
O segundo projeto, Academia 360º, tem como objetivo promover a participação cívica dos jovens, o associativismo estudantil e o envolvimento ativo na vida pública. O programa inclui visitas a escolas secundárias, dinamizadas por dirigentes associativos e estudantes do ensino superior, com vista a apelar à participação informada na vida escolar.
“O acesso à educação e ao ensino superior não deve depender do contexto socioeconómico dos estudantes”, defende Francisco Porto Fernandes, presidente da FAP, que lembra: “Metade dos estudantes universitários tiveram explicações no secundário. O acesso ao ensino superior em Portugal continua bastante desigual. No ano letivo 2023/2024, apenas 48% dos estudantes beneficiários de ação social escolar seguiram para a faculdade.”
Para concretizar o programa Porto de Partilha, a FAP investe 10 mil euros que serão aplicados na remuneração dos estudantes inscritos para acompanharem os jovens do ensino secundário e na aquisição dos materiais necessários.
“É importante que a academia trabalhe em proximidade com as escolas secundárias de forma a incentivar a continuidade dos estudos, para que os estudantes tenham não só mais oportunidades de prosseguir estudos, mas também maior consciência do seu papel na vida coletiva”, remata o presidente da FAP.