Representação Estudantil e Institucional 2 min leitura
Estudo da FAP conclui que um em cada três estudantes ponderou não ingressar ou abandonar o ensino superior por dificuldades económicas

Estudo da FAP conclui que um em cada três estudantes ponderou não ingressar ou abandonar o ensino superior por dificuldades económicas

13 Outubro 2026
  • FAP questiona se “o ensino superior aproxima ou acentua desigualdades” e afirma que “sem mobilidade social não há democracia”
  • Orçamento do Estado para 2027 deve ter como prioridade a recuperação do elevador social

O ensino superior continua a ser uma porta de entrada crucial para a mobilidade social, mas o acesso e a permanência na academia abrem-se de forma profundamente desigual. Segundo um estudo de opinião promovido pela Federação Académica do Porto (FAP) junto de 275 estudantes da Academia do Porto no início do ano letivo 2026/2027, um em cada três estudantes (33%) ponderou não ingressar ou abandonar o ensino superior devido a motivos económicos. O risco de abandono foca-se nos estudantes mais vulneráveis: 43% dos alunos de primeira geração familiar no ensino superior ponderaram desistir (frente a 26% dos restantes), valor que dispara para os 63% no caso dos estudantes que precisavam de explicações no secundário mas não tiveram possibilidade de as pagar.

Após os resultados deste estudo, a FAP questiona: “O elevador social ainda funciona? O ensino superior aproxima ou acentua desigualdades?”, concluindo: “Sem mobilidade social não há democracia”. A dias da discussão do Orçamento do Estado para 2027, a FAP evidencia o peso da origem socioeconómica no acesso ao ensino superior e exige que o elevador social seja a primeira prioridade do Governo. 

"O ensino superior é o principal motor de mobilidade social do país, mas o elevador está a falhar a quem mais precisa dele. O próximo Orçamento do Estado tem de garantir mais camas públicas, bolsas decididas a tempo e igualdade de condições no acesso. Sem isso, o mérito continua a depender do código postal”, defende Francisco Porto Fernandes, presidente da FAP.

A crise no alojamento estudantil surge como o principal fator de exclusão e pressão financeira. O custo da habitação é apontado como o motivo central para ponderar a desistência por 89% dos novos estudantes que hesitaram em ingressar e por 70% dos que pensaram em abandonar os estudos. A resposta pública revela-se insuficiente: dos estudantes que concorreram a uma residência dos Serviços de Ação Social, 66% não obteve vaga e apenas 18% conseguiu alojamento. Ao mesmo tempo, 89% dos estudantes deslocados não recebem qualquer apoio ao alojamento e 45% estão a pagar rendas superiores a 400 euros.

A vulnerabilidade socioeconómica afeta de forma desproporcional os estudantes de primeira geração, que representam 37% dos participantes no estudo. Sete em cada dez destes alunos são bolseiros ou aguardam decisão, constituindo 73% do total de bolseiros inquiridos. Contudo, a burocracia e os custos no percurso académico impõem fortes barreiras: no momento do inquérito, 40% dos participantes ainda aguardava uma decisão sobre a bolsa de estudo e 36% dos estudantes que já frequentavam o ensino superior admitiram ter faltado a aulas, avaliações ou outras atividades académicas por dificuldades financeiras. O estudo demonstra ainda a desigualdade na preparação de acesso, dado que 57% dos alunos recorreram a explicações pagas no secundário, enquanto apenas 4% tiveram apoio gratuito e 19% dos alunos de primeira geração precisaram desse apoio mas não o conseguiram obter – quase o triplo do registado entre os restantes estudantes (7%).

“Quando mais de metade dos estudantes recorre a explicações pagas, quem não as pode pagar parte em desvantagem. A desigualdade não se pode medir apenas no ensino superior. O elevador social começa a falhar antes, ainda no ensino secundário”, explica o presidente da FAP que, conclui: “Em pleno arranque do ano letivo, há estudantes colocados que ainda não sabem onde vão viver, e quem fica de fora é empurrado para o mercado de arrendamento privado. Tem de haver um compromisso com os jovens portugueses, e é esse o sentido do apelo que levamos para a rua: sem mobilidade social não há democracia!”
 
Ficha técnica

Estudo de opinião promovido pela Federação Académica do Porto, com o objetivo de avaliar o papel do ensino superior enquanto fator de mobilidade social, caracterizando a origem socioeconómica dos estudantes, as condições de alojamento e as dificuldades económicas no início do ano letivo 2026/2027. A recolha de informação foi feita entre 16 de setembro e 6 de outubro de 2026 e contou com a participação de 275 estudantes. Por opção metodológica, 66% (dois terços) já se encontravam a frequentar o ensino superior no ano letivo anterior, 80% frequentam instituições de ensino público e 20% de ensino particular e cooperativo. Os resultados obtidos refletem a experiência dos estudantes participantes no estudo.

 

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